Figuras de linguagem

As figuras de linguagem são usadas em nosso cotidiano, e subdividem-se em figuras de construção ou de sintaxe, de pensamento e de palavra. Estas figuras servem para dar sentido às várias significações que uma mesma palavra pode ter. São muito usadas não apenas coloquialmente no texto falado, mas também em poesias, músicas e até mesmo textos formais.

Exemplo do uso de várias figuras de linguagem em uma poesia:

Já não desfilava pelas ruas
Já não usava aspas, nem parágrafos
Já não se escrevia em itálico
Nem se sublinhava
Negrito nem que fosse título
Nome ou instituição
Já não queria chamar atenção
Já não cometia erros de sintaxe
Já não conjugava verbos
Nem sequer desdobrava palavras
Estava cheio de prefixos
Derivados de sua sufixação
Já não usava hipérboles
Já não vivia: metáfora
De antíteses estava cheio
Já se sentia sozinho
Já não queria se explicar
De palavras mudas construiu o seu caminho
Negava antes mesmo de questionar
Já não falava para não ser pego de surpresa
Reduziu-se a ponto de não significar
Já não cabiam reticências
Já não precisava sinalizar
Era ponto final.

Deise Anne

Retextualização

Sabemos que as diferenças entre o texto falado e o texto escrito são diversas. Entretanto, estigmatizar como errôneo, caótico ou informal o texto falado não é uma atitude correta. Assim como o texto escrito não necessariamente segue normas (como exemplo temos uma poesia ou uma música), o texto falado pode sim estar de acordo com as leis gramaticais e a norma padrão da lingua.

Uma forma de transformar o texto falado em escrito, e vice-versa, é a retextualização. Atitudes do cotidiano, como anotar uma aula ou contar a alguém sobre uma notícia encontrada em um jornal é uma forma de retextualizar um texto. Mas é importante ressaltar que a retextualização deve ser uma transcrição fidedigna do texto original. Nela, operações de substituição, seleção, acréscimo, reordenação e condensação devem auxiliar o documentador em seu trabalho.

Como um exemplo de retextualização, segue abaixo a música Tiro ao Álvaro, de Adoniran Barbosa, e sua retextualização.

Original
 
 De tanto levar frexada do teu olhar…
 meu peito até, parece sabe o quê,
 táubua de tiro ao Álvaro,
 não tem mais onde furar…
 
 Não tem mais…
 
 De tanto levar frexada do teu olhar…
 meu peito até, parece sabe o quê,
 táubua de tiro ao Álvaro,
 não tem mais onde furar…
 
 Seu olhar, mata mais do que bala de carabina
 que veneno estricnina
 que peixeira de baiano
 teu olhar mata mais que atropelamento de automóver
 mata mais que bala de revórver…
Retextualização

De tanto levar flechada do teu olhar
Sabe o que meu peito parece?
Tábua de tiro ao alvo
Não tem mais onde furar...

Não tem mais…

Seu olhar mata mais do que bala de carabina
Que veneno estricnina
Que peixeira de baiano
Teu olhar mata mais que atropelamento de automóvel
Mata mais que bala de revólver…

Gêneros Textuais

Oi gente, hoje após a aula, fiquei pensando em quantos gêneros textuais fazem parte do nosso cotidiano e como os vários tipos textuais podem compor um gênero. Por isso resolvi escrever sobre os gêneros textuais e dar alguns exemplos que estão presentes no nosso dia a dia.

Por exemplo, muitas pessoas não saem de casa sem ler o horóscopo:

Ou quando você vai checar sua caixa de entrada:

Ou quando você vai a um restaurante:

A carta, o diário, o bilhete, o poema, o e-mail, o cardápio, o horóscopo, o romance, a aula expositiva, todos esses são exemplos de gêneros textuais.

Mas, afinal, o que é um gênero textual?

Gênero textual é uma realização social, histórica e cultural e serve para realizar discursos dentro de uma forma estável, mas não definitiva, circula socialmente e determina a formatação do texto. São ilimitados, pois à medida que a sociedade necessita, novos gêneros são criados. Os gêneros aparecem na formatação oral ou escrita.

Em um gênero textual, podem aparecer vários tipos de tipos textuais. E quais são os tipos textuais?

  • Argumentação
  • Injunção
  • Exposição
  • Narração
  • Descrição

Em um texto, mesmo que haja predominância de um tipo, nunca será composto de apenas um tipo textual.  Há sempre a presença de vários desses tipos.

Coesão e Coerência

coerência ou conectividade conceitual é a relação que se estabelece entre as partes de um texto, criando uma unidade de sentido. Ela é o resultado da solidariedade, da continuidade do sentido, do compromisso das partes que formam esse todo. Está, pois, ligada à compreensão, à possibilidade de interpretação daquilo que se diz, escreve, ouve, vê, desenha, canta, etc. Quando produzimos textos é porque pretendemos informar, divertir, explicar, convencer, discordar, ordenar, ou seja, o texto é uma unidade de significado produzida sempre com uma determinada intenção.

A coerência caracteriza-se, portanto, por uma interdependência semântica entre os elementos constituintes de um texto. Ela é o resultado de processos mentais de apropriação do real e da configuração dos esquemas cognitivos que definem o nosso saber sobre o mundo.

Podemos observar a importância da coerência nos exemplos a seguir:

“As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica” – Richard Gehman

“Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte.”
“Junto com as outras?”
“Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer qualquer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia.”;
“Sim senhora. Olha, o homem está aí.”
“Aquele de quando choveu?”
“Não. O que a senhora foi lá e falou com ele no domingo.”
“Que é que você disse a ele?”
“Eu disse para ele continuar.”
“Ele já começou?”
“Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse.”

A coesão

A coesão é essa “amarração” entre as várias partes do texto, ou seja, o entrelaçamento significativo entre declarações e sentenças. Existem, em Língua Portuguesa, dois tipos de coesão: a lexical e a gramatical.

A coesão lexical é obtida pelas relações de sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos e formas eliminadas. Já a coesão gramatical é conseguida a partir do emprego adequado de artigo, pronome, adjetivo, determinados advérbios e expressões adverbiais, conjunções e numerais.

Seguem alguns exemplos de coesão:

  1. Numerais – as expressões quantitativas, em algumas circunstâncias, retomam dados anteriores numa relação de coesão.

Ex.: Foram divulgados dois avisos: o primeiro era para os alunos e o segundo cabia à administração do colégio. / As crianças comemoravam juntas a vitória do time do bairro, mas duas lamentavam não terem sido aceitas no time campeão.

  1. Advérbios pronominais (classificação de Rocha Lima e outros) – expressões adverbiais como aqui, ali, lá, acolá, aí servem como referência espacial para personagens e leitor.

Ex.: Querido primo, como vão as coisas na sua terra – Aí todos vão bem – / Ele não podia deixar de visitar o Corcovado. Lá demorou mais de duas horas admirando as belezas do Rio.

  1. Elipse – essa figura de linguagem consiste na omissão de um termo ou expressão que pode ser facilmente depreendida em seu sentido pelas referências do contexto.

Ex.: O diretor foi o primeiro a chegar à sala. Abriu as janelas e começou a arrumar tudo para a assembléia com os acionistas.

  1. Repetição de parte do nome próprio – Machado de Assis revelou-se como um dos maiores contistas da literatura brasileira. A vasta produção de Machado garante a diversidade temática e a oferta de variados títulos.
  2. Metonímia – outra figura de linguagem que é bastante usada como elo coesivo, por substituir uma palavra por outra, fundamentada numa relação de contigüidade semântica.

Ex.: O governo tem demonstrado preocupação com os índices de inflação. O Planalto não revelou ainda a taxa deste mês.

  1. Perífrase ou antonomásia – expressão que caracteriza o lugar, a coisa ou a pessoa a que se faz referência.

Ex.: O Rio de Janeiro é uma das cidades mais importantes do Brasil. A cidade maravilhosa é conhecida mundialmente por suas belezas naturais, hospitalidade e carnaval.

  1. Nominalizações – uso de um substantivo que remete a um verbo enunciado anteriormente. Também pode ocorrer o contrário: um verbo retomar um substantivo já enunciado.

Ex.: A moça foi declarar-se culpada do crime. Essa declaração, entretanto, não foi aceita pelo juiz responsável pelo caso. / O testemunho do rapaz desencadeou uma ação conjunta dos moradores para testemunhar contra o réu.

  1. Palavras ou expressões sinônimas ou quase sinônimas – ainda que se considere a inexistência de sinônimos perfeitos, algumas substituições favorecem a não repetição de palavras.

Ex.: Os automóveis colocados à venda durante a exposição não obtiveram muito sucesso. Isso talvez tenha ocorrido porque os carros não estavam em um lugar de destaque no evento.

  1. Repetição vocabular – ainda que não seja o ideal, algumas vezes há a necessidade de repetir uma palavra, principalmente se ela representar a temática central a ser abordada. Deve-se evitar ao máximo esse tipo de procedimento ou, ao menos, afastar as duas ocorrências o mais possível, embora esse seja um dos vários recursos para garantir a coesão textual.

Ex.: A fome é uma mazela social que vem se agravando no mundo moderno. São vários os fatores causadores desse problema, por isso a fome tem sido uma preocupação constante dos governantes mundiais.

  1. Um termo síntese – usa-se, eventualmente, um termo que faz uma espécie de resumo de vários outros termos precedentes, como uma retomada.

Ex.: O país é cheio de entraves burocráticos. É preciso preencher uma enorme quantidade de formulários, que devem receber assinaturas e carimbos. Depois de tudo isso, ainda falta a emissão dos boletos para o pagamento bancário. Todas essas limitações acabam prejudicando as relações comerciais com o Brasil.

  1. Pronomes – todos os tipos de pronomes podem funcionar como recurso de referência a termos ou expressões anteriormente empregados. Para o emprego adequado, convém rever os princípios que regem o uso dos pronomes.

Ex.: Vitaminas fazem bem à saúde, mas não devemos tomá-las sem a devida orientação. / A instituição é uma das mais famosas da localidade. Seus funcionários trabalham lá há anos e conhecem bem sua estrutura de funcionamento. / A mãe amava o filho e a filha, queria muito tanto a um quanto à outra.

Diversidade Linguística

Algumas características mudam de uma região para outra. Com isso, surgem variedades linguísticas que podem ser influenciadas por fatores econômicos, sociais, culturais, políticos e ideológicos. Variações como dialetos, idioletos e socioletos podem ser distinguidos não apenas por seu vocabulário, mas também por diferenças na fonologia, na gramática e na versificação.

Resumidamente, podemos identificar alguns fatores que contribuem para essa variação linguística:

Variação Geográfica: se refere às diferentes formas de pronúncia, vocabulário e estrutura sintática entre as regiões.

Variação Social: aqui são agrupados alguns fatores que determinam essa variação como, o meio social em que vive a pessoa, seu grau de educação, sua idade e seu gênero. É importante salientar que essa variação não compromete a compreensão entre os indivíduos.

Variação Estilística: um mesmo indivíduo utiliza a variação estilística de acordo com as diferentes circunstâncias de comunicação. Pode ser utilizada a linguagem informal nas conversações imediatas do cotidiano e a linguagem formal, utilizada em conversações que não são do dia-a-dia e cujo conteúdo é mais complexo e elaborado. Os dois estilos ocorrem tanto na linguagem escrita quanto na falada!

É importante salientar que as diferentes modalidades de variação lingüística não existem isoladamente!

Linguística

A linguística é a ciência que se dedica ao estudo objetivo da linguagem humana e, portanto, procura investigar a organização e o funcionamento das várias linguas existentes nas sociedades para estabelecer relações entre elas.

No estudo da linguística, além da distinção entre a lingua e a fala, há também uma oposição entre a diacronia e a sincronia. Enquanto que a diacronia analisa a lingua a partir de sua evolução ao longo do tempo, a sincronia estipula um determinado momento para explicar o funcionamento  desta mesma lingua, e é a partir deste estudo sincronico da lingua que podemos estabelecer a existência de variações, como é o caso da lingua escrita e da lingua falada.

Enquanto que a lingua falada é espontânea e faz uso de expressões, entonação e mímicas, a lingua escrita faz parte de um sistema mais disciplinado e rígido, que obedece à leis gramaticais e não tem para si a significação paralela entre palavras e gestos. Um ponto também importante na linguagem falada é o uso de girias, de regionalismos e de dialetos, que em textos são mais complicados para serem utilizados, devido justamente à falta de expressão corporal passada pelo emissor da informação.

Mas a diferença fundamental entre estes dois tipos de linguagem é a emoção e a singularidade com que o transmissor consegue passar uma mensagem para o receptor, quando faz uso da lingua falada. Em um texto, uma mensagem perde sua unicidade, pois o leitor toma para si a idéia a que o texto pertence.

A linguísticas e suas variações...

 

 

Funções da Linguagem

No ato da comunicação, que ocorre no momento em que emitimos uma mensagem com a intenção de sermos compreendidos, percebemos a existência de alguns elementos:

Emissor: é aquele que envia a mensagem (pode ser apenas uma ou várias pessoas).

Mensagem: é o conteúdo, ou seja, o assunto das informações que são transmitidas.

Receptor: é aquele que recebe a mensagem (um indivíduo ou um grupo), também conhecido como destinatário.

Canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensagem é transmitida.

Código: é o conjunto de signos e de regras de combinação desses signo,s utilizados para elaborar a mensagem: o emissor codifica aquilo que o receptor irá decodificar.

Contexto: é a situação ou o objeto a que a mensagem se refere.

Sendo assim, foram criadas algumas funções da linguagem específicas a fim de facilitar a análise e a produção de textos:

Função Referencial: privilegia justamente o referente da mensagem, buscando transmitir informações objetivas sobre ele. Predomina nos textos de caráter científico e nos textos jornalísticos.

Função Emotiva: Traduz opiniões e emoções do emissor. O leitor sente no texto a presença do emissor. Exemplo: as mensagens contidas em um diário pessoal.

Função Fática: Tem por objetivo iniciar ou prolongar o contato com o receptor. Ocorre quando a mensagem se orienta sobre o canal de comunicação ou contato, buscando verificar e fortalecer sua eficiência. Um bom exemplo é uma conversa ao telefone, onde utilizamos: ruídos como psiu, ahn, ei, alô, etc.

Função Apelativa ou Conativa: Procura organizar o texto de forma que influa o comportamento do receptor, por meio de um apelo ou uma ordem, persuadindo-o, seduzindo-o. As propagandas são as que mais se utilizam dessa função.

Função Poética: é aquela que enfatiza a elaboração da mensagem, de modo a ressaltar seu significado. As obras poéticas e os poemas são os principais exemplos.

Função Metalinguística: Utiliza o código como próprio assunto para explicar o código. Exemplos: os dicionários.

Calvin e sua tentativa frustrada de vender um desenho ao seu pai( exemplo de função apelativa):

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